Dois sorrisos, uma história

Eddie Redmayne levou o Oscar de melhor ator, no último domingo. E se, até agora, o seu sorriso não era nem tão famoso assim, certamente passará a ser.Eddie Oscar Ele foi para casa com a estatueta pela excelente interpretação do cientista Stephen Hawking, no filme “Teoria do Tudo”, que centra mais em aspectos da biografia do cosmólogo e físico do que exatamente nos seus feitos científicos.

Quem assistiu ao filme ou qualquer um que tenha simplesmente acompanhado a presença de Hawking na mídia, nas últimas décadas, sabe que ele também sempre foi uma figura carismática e sorridente, mesmo a despeito de todas as limitações da sua doença neurológica crônica, a esclerose lateral amiotrófica (ELA), que lhe tirou todos os movimentos.

Assim, neste nosso post sobre Sorrisos Famosos de hoje, nós, que sempre falamos da estreita relação entre boca e saúde, nos sentimos impelidos a chamar atenção para essas duas figuras.

No caso de Eddie Redmayne, que conseguiu através de sua caracterização e de uma interpretação impecável ficar parecidíssimo com Hawking quando jovem, vemos que, na vida real, ele tem um sorriso muito bem alinhado (que talvez tenha até passado por um tratamento ortodôntico na juventude) e harmonizado com as linhas do rosto. Note-se, inclusive, que não é um sorriso muito aberto, o que lhe confere um ar meio tímido e contribui para um certo charme.

À esquerda, Stephen Hawken, à esquerda; e, à direita, Eddie Radymaine, caracterizado para viver o papel do cientista no cinema.
À esquerda, Stephen Hawking, à esquerda; e, à direita, Eddie Radmayne, caracterizado para viver o papel do cientista no cinema.

Já nas fotos de Stephen Hawking, na sua juventude, podemos ver o indício de alguns problemas ortodônticos, todos facilmente corrigíveis (dentes levemente vestibularizados, isto é, inclinados para a frente, sendo que o elemento 13, o canino superior direito também se mostrava mais distante do que deveria do elemento 12, o incisivo lateral superior direito).

Mas isso é apenas um detalhe, diante do quadro odontológico preocupante do cientista, com o passar dos anos. Um leigo pode acreditar que a situação atual deve-se à sua doença grave e que nada poderia ser feito para salvar seus dentes. Grande equívoco.

Hawken ValeA perda dos dentes superiores, as consequentes alterações morfológicas da arcada inferior e a formação do cálculo dentário que esta figura tão inteligente e cativante dos nossos tempos apresenta hoje em dia devem-se, principalmente, à falta de conscientização que, infelizmente, ainda predomina – inclusive nos meios de Saúde – sobre a importância dos cuidados de higiene e saúde bucal do paciente acamado ou com necessidades especiais.

Chamar a atenção para isso é, acima de tudo, pontuar o direito desses indivíduos de terem a sua higienização bucal devidamente realizada e adaptada às suas condições. E é também atentar para o fato de que isso pode fazer toda a diferença para a qualidade de vida, a saúde e, até mesmo, para a longevidade dessas pessoas.

Falamos sempre aqui no nosso blog que a estreita relação entre saúde bucal e saúde sistêmica é uma realidade para todas as pessoas. Portanto, já passa da hora de entendermos que indivíduos com necessidades especiais, pelas razões óbvias, também demandam cuidados bucais especiais. Que fique o alerta para as famílias e os cuidadores!

Cuidados gerais de higienização bucal do paciente com necessidades especiais

Todos os pacientes com necessidades especiais (o que engloba aqueles com limitações motoras e/ou intelectuais) necessitam também de cuidados e atenção especiais para a sua saúde bucal, com as medidas de manejo devidamente adaptadas para o seu caso e as suas condições. Isso inclui também o acompanhamento odontológico especializado, dentro de uma periodicidade que pode variar de acordo com cada situação.

A aspiração de bactérias presentes na cavidade bucal, bem como a sua penetração em feridas presentes na boca – sobretudo nos casos de doença periodontal – pode levar ao agravamento do quadro do paciente, causando problemas como pneumonia e ataques do coração. Logo, os cuidados de saúde com quem tem necessidades especiais nunca serão completos se a sua saúde bucal for negligenciada.

PRINCIPAIS MEDIDAS

– Pacientes com dificuldades motoras, mesmo que não se alimentem por via oral, devem receber higienização bucal com uso de fio dental e escovação;

– Caso o paciente tenha problemas como disfagia (dificuldade para engolir) ou outro quadro que pode levar a engasgos no momento da higienização, é importante que a técnica seja orientada por um higienista dental ou um dentista, e depois seguida por alguém da família ou cuidador;

– Caso o paciente faça uso de próteses dentárias, essas devem ser retiradas para serem higienizadas. Já os tecidos bucais devem ser higienizados com uma gaze embebida na solução de digluconato de clorexidina 0,12% (clorexidine);

– No caso do paciente entubado recomenda-se a higienização bucal feita por higienistas ou enfermeiros nas UTIs. É um direito da família questionar sobre essa limpeza e solicitar que ela seja realizada.