Os antissépticos bucais de antigamente

Muito antes de conhecerem o conceito de bactéria, muito menos o de placa bacteriana, e bem antes ainda de descobrirem e aperfeiçoar os métodos mecânicos de higienização dental, nossos ancestrais já se viam preocupados com a saúde bucal.

Há evidências arqueológicas do uso de colutórios (enxaguantes bucais com

Figura medieval representa uma pessoa recebendo cuidados para os dentes.
Figura medieval representa uma pessoa recebendo cuidados para os dentes.

finalidade medicinal) contra a processos infecto-inflamatórios nas gengivas que remontam 4.000 anos antes de Cristo. Ou seja, há mais de 6.000 anos, o homem já vem buscando receitas de substâncias que posssam auxiliar na prevenção e no tratamento de quadros infecto-inflamatórios nas gengivas e nos dentes.

O fio dental, a moderna escova de dentes e as pastas dentais só vieram a ser aperfeiçoados e popularizados no último século – isso mesmo, no Século XX – e passaram a representar métodos simples e eficazes de prevenção para a maioria dos problemas dentais e periodontais. E pensar que ainda hoje exista quem ainda não entendeu o poder revolucionário desse trio…

Em praticamente toda a sua história, a humanidade pesquisou o uso de substâncias que auxiliassem na saúde bucal. Escritos do Papiro de Ebers, de 1.500 a.C. contêm receitas de pós para os dentes e colutórios à base de álcool (especialmente vinho e cerveja) eram particularmente populares entre os romanos, por exemplo.

URINA

Em muitas culturas, o uso da urina para enxague bucal também foi popular durante muitos séculos. Alguns povos bárbaros da região da Península Ibérica utilizavam urina mofada, enquanto na região que hoje é a França, utilizava-se a urina fresca. Já entre nações árabes disseminou a crença de que a urina de criança poderia render bons resultados nos cuidados de saúde bucal.

A explicação para o uso da urina como enxaguatorio tá no fato dela conter uréia, sendo que esse costume antigo, mesmo caindo em desuso, conseguiu atravessar séculos e, ainda hoje, entre populações de menor grau de instrução e acesso a cuidados de saúde bucal, ouve-se relatos desse tipo de prescrição.

Obviamente, essa é uma prática completamente descabida para os dias atuais. Até porque, a eficácia da uréia como agente antibacteriano e cicatrizante jamais foi comprovada cientificamente.