Perda óssea já não impede implantes

Quando falamos em perda de massa óssea em diversos quadros clínicos na Odontologia, isso é algo que pode parecer bem abstrato para o paciente. E, para muitos, é uma surpresa ainda maior dizermos que hoje em dia é possível realizar enxertos desse tecido para conseguir viabilizar determinados tratamentos com implantes dentários.

Neste caso clínico, temos a sequência de exames de imagens de uma paciente que pode ilustrar bem essa situação, desde o estudo diagnóstico que evidenciou a limitação de espessura óssea para o tratamento com implantes, até o período de cinco meses pós-enxerto:

enxerto A

 

enxerto b

Nessas duas primeiras imagens vemos claramente que o paciente tem ausência dos elementos 21 e 22 (incisivos central e lateral esquerdo). O primeiro raio-X, que é denominado RX panorâmico, dá uma visão geral e mostra a ausência dos elementos e um dente somente com raiz, que é o elemento 23 (vale ressaltar que esse tipo de RX não mostra a espessura óssea, que é a mensuração que precisamos para saber qual o diâmetro do implante que podemos instalar no local; por isso, solicita-se também a tomografia, que dá uma visão geral).

Após conviver muitos anos com essa situação, utilizando prótese fixa, a espessura óssea na região diminuiu consideravelmente, ficando em 2,95mm, quando o mínimo indicado para viabilizar a realização de um implante é de 5mm, conforme podemos ver logo abaixo, nas imagens dos cortes (parassagitais) das regiões dos elementos dentários.

enxerto c

Em casos assim, quanto maior tempo de convivência com a ausência dentária, maior tende a ser a perda de tecido ósseo, com maiores impactos tanto para o aspecto do sorriso, quanto para a sustentação e risco de mobilidade das demais unidades. Por isso, instalação de um implante torna-se um importante passo na reabilitação oral do paciente.

Entretanto, como vimos, a espessura óssea já se encontrava consideravelmente abaixo do indicado para a realização do implante. A saída é, então, realizar um enxerto ósseo, que permitirá a recuperação da espessura e nos dará a possibilidade da realizar o procedimento de Implantodontia.

Neste caso, optamos pela realização de um enxerto autógeno, isto é, com tecido retirado do próprio organismo do paciente, e a região doadora foi a área retromolar esquerda (região da mandíbula esquerda). No Raio-X panorâmico abaixo vemos a presença de dois pequenos parafusos de titânio (material totalmente biocompatível) prendendo o pequeno bloco ósseo enxertado.

enxerto d

O tempo aguardado para revascularização do osso implantado e sua total adequação à nova área é de cinco meses. Depois disso, o paciente já estará apto para a realização do implante dentário propriamente dito.

Relativamente ao elemento 23 (o canino esquerdo), no mesmo dia da cirurgia de enxerto ósseo, foi feita também a sua exodontia (extração da parte que ainda restava desse elemento, isto é, a sua raiz, que estava fraturada) e já instalado o implante, que posteriormente receberá a prótese. Enquanto aguarda a finalização do tratamento, o paciente usará uma prótese fixa provisória.

Detalhe do enxerto ósseo que possibilitará a realização do implante nos elementos 11 e 12.
Detalhe do enxerto ósseo que possibilitará a realização do implante no elemento 21.

 

Aqui, detalhe do implante instalado no elemento 21, quatro meses após o enxerto ósseo.
Aqui, detalhe do implante instalado no elemento 21, quatro meses após o enxerto ósseo.