Por que fazer trabalho voluntário?

Por que fazer trabalho voluntário? A melhor resposta a essa questão talvez esteja noutra pergunta: como, afinal de contas, um pouquinho pode virar muita coisa?

Aí, não tem como não lembrar daquela fábula do passarinho que carrega água no bico para apagar o incêndio da floresta, convicto de que se cada bicho fizesse a sua parte, o fogo seria vencido. De gota em gota, vamos mantendo a esperança.

No Estado, 445 profissionais estão engajados no projeto da Turma Dentistas do Bem (TdB). O resultado, até o momento, é de sorriso garantido para um total de 1012 adolescentes, em 40 municípios do Espírito Santo.

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Em 28 de agosto é comemorado o Dia do Voluntário. Na foto deste outdoor, que está nas ruas da Grande Vitória, as crianças que aparecem mostrando seus sorrisos são algumas das atendidas pela TdB no Estado.

Uma das voluntárias, a endodontista Rosely Vago, enviou-me um relato nesta semana que resume bem aquilo que o engajamento no projeto nos proporciona: “é um novo campo de satisfação pessoal quando vemos o sorriso de uma criança que necessita de todo nível de atenção. É uma expansão de consciência.”

Concordo com cada palavra. Mas, será que conseguiremos um dia mudar a realidade do panorama da saúde bucal nas regiões onde atuamos? Lancei a pergunta a algumas colegas.

Para além dos números que contabilizamos, a especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares Tatiana Torres, que está no projeto há um ano, me respondeu chamando atenção para o fato de que as crianças comparecem ao consultório sempre acompanhadas por um adulto responsável, aos quais estendemos as nossas orientações.

Ela observa que essas pessoas acabam por se interessar pelo tema, fazem perguntas, querem detalhes. Certamente, eles passarão esses dados a parentes e amigos. Assim, para cada paciente atendido, famílias inteiras podem estar sendo sensibilizadas sobre a importância dos cuidados com a saúde bucal.

Ora, sabemos que neste campo não há avanço sem conscientização e adesão aos cuidados básicos regulares de higiene oral – assim como sabemos que não há saúde sistêmica sem bocas saudáveis. Informação e conscientização são sempre os primeiros passos.

Como, então, não ver em toda essa dinâmica do trabalho da TdB uma onda de benefícios que se propaga para muito além de um único atendimento individual? Como não acreditar que isso pode fazer a diferença e impactar a realidade? Estamos vendo isso acontecer.

Seguimos convictos de que através de cada atendimento estamos atando mais um ponto numa rede que cresce a cada dia e que poderá, sim, fazer a diferença para milhares e milhões, quem sabe. A dimensão que isso pode alcançar dependerá de quantos mais profissionais entenderem que é desse jeito que transformamos em muito o pouquinho que cada um de nós pode fazer.

Marlei Bonella – mestre e especialista em Implantodontia, especialista em Periodontia e uma das coordenadoras da TdB no Espírito Santo.