Riscos do herpes em recém-nascidos

Na semana passada, uma paciente me enviou o link de uma matéria veiculada pelo jornal A Gazeta, informando sobre a morte de um bebê australiano, de apenas 24 dias, depois de ter sido contaminado pelo vírus herpes simples após, supostamente, receber um beijinho carinhoso de alguém que estaria infectado. 

Bebê australiana foi contaminada durante uma visita que recebeu na maternidade. FOTO da criança saudável, divulgada pela família.
Bebê australiana foi contaminada durante uma visita que recebeu na maternidade. FOTO da criança saudável, divulgada pela família.

É claro que um fato lamentável como esse deixa qualquer um assustado. Além disso, como verão é uma época especialmente propícia à manifestação do herpes, achei importante dedicar um post ao assunto aqui no Boca e Saúde.

Farei isso em forma de ponto a ponto, para que alguns conceitos fiquem bem claros.

Antes, porém, vale salientar que o vírus do herpes é bastante comum, ao ponto de estimativas serem de que ele esteja presente em cerca de 80% da população mundial – mas sendo que somente em 20% dos casos, em média, é que chega a se manifestar.

Entretanto, a contaminação em recém-nascidos é, realmente, algo que pode ser bastante grave. Por isso, alguns cuidados não só de higiene, mas principalmente de bom-senso dos adultos em relação aos bebês, são importantíssimos para evitar o risco dessa exposição.

O QUE É VERDADE SOBRE O RISCO
DE HERPES EM RECÉM-NASCIDOS

– A literatura médica indica que o herpes pode, sim, infectar o bebê durante as primeiras semanas de vida, se ele for beijado por alguém com herpes oral ativo no momento ou mesmo se a pessoa tocar na ferida e tocar o bebê em seguida;

– O herpes no bebê pode causar infecções devastadoras, resultando em danos  no sistema nervoso central, que podem deixar sequelas como retardo mental, ou até mesmo levar à morte;

– Essa é uma das razões pelas quais adultos que visitam recém-nascidos, sejam familiares ou não, devem EVITAR beijar, falar sobre a criança e, até mesmo, carrega-las. O sistema imunológico de crianças é mais frágil, ainda mais nos primeiros dias de vida;

– O ideal é que visitas na maternidade sejam sempre de curta duração (apenas alguns minutos), evitando-se também aglomerações no quarto;

– Alguém que esteja com o herpes ativo ou com qualquer outro quadro potencialmente infeccioso como gripe, por exemplo, também deve evitar fazer visitas a recém-nascidos.

SOBRE OS RISCOS GERAIS
DE CONTAMINAÇÃO PELO HERPES

– No geral, a contaminação do herpes simples labial se dá através da saliva ou de perdigotos (gotículas expelidas quando a pessoa fala ou tosse, por exemplo), pele ou lábios do paciente infectado, sobretudo quando há lesões ativas (visíveis);

– Porém, não é somente durante as crises que o herpes labial pode ser transmitido. De tempos em tempos, o vírus aparece na saliva, mantendo o paciente contagioso por alguns dias, mesmo sem haver lesões aparentes;

– A contaminação pelo vírus, muitas vezes, acontece ao longo da infância, mas o vírus fica latente no organismo, só vindo a se manifestar na vida adulta, em momentos de estresse ou queda de imunidade, por exemplo;

– Crianças, idosos e pessoas com a imunidade comprometida como os soropositivos e pacientes em tratamento quimioterápico são mais suscetíveis à contaminação;

– Estima-se que 80% das pessoas estejam contaminadas pelo vírus, mas somente em 20% dos casos ele se manifesta;

– A exposição solar excessiva e desprotegida pode ser um dos fatores que levam o vírus latente a se manifestar. Por isso, o verão é uma época especialmente propícia à manifestação do herpes.

Leia aqui neste link mais sobre os tipos de herpes e o que fazer para evitar o contágio e a manifestação do vírus.

Dra. Marlei Bonella,
Periodontista e Implantodontista.