Sinais e riscos da respiração bucal

Gosto muito de esportes e sou uma flamenguista que procura acompanhar o Marcelinhoclube em todas as suas modalidades. Neste mês, estamos na torcida pelo nosso basquetebol, pois vem aí a disputa do título do Novo Basquete Brasil (NBB), contra o Bauru. Mas, de olho na TV, não pude deixar de sentir uma vontade imensa de prestar aconselhamentos odontológicos a um de meus jogadores preferidos…

Marcelo Magalhães Machado, o Marcelinho, ala do time e, para mim, um dos melhores jogadores de basquete em atividade no Brasil atualmente, tem os dentes muito apinhados. E isso NÃO é um problema meramente estético.

A questão é que o formato da boca e da face, além do posicionamento dos dentes, indicam que o atleta muito provavelmente chupou dedo ou chupeta na infância.

Geralmente, pacientes com essas características são respiradores bucais, sendo que problemas como desvio de septo nasal, rinites e adenoides também podem estar relacionados com esse tipo de respiração desde a infância, levando, com o tempo, ao estreitamento da arcada dentária superior, do palato (céu da boca) e das narinas.

A respiração pela boca, definitivamente, não é benéfica nem para a saúde bucal, nem para o organismo como um todo. Ela aumenta os riscos de cáries e de doenças da gengiva, além de costumar levar ao ronco durante o sono, elevando os riscos de apneia noturna (suspensão da respiração).

Isso sem contar que, ao respirarmos pela boca, perdemos a segurança que as vias nasais oferecem, uma vez que a função do nariz é filtrar o ar, evitando a entrada de micro-organismos em nosso corpo. Sem o filtro nasal, a laringe, a traqueia e os pulmões ficam bem mais expostos a possíveis agentes nocivos.

Infelizmente, a respiração bucal no adulto ainda não é vista como um problema de saúde que necessita ser corrigido.

Muitos desses pacientes atravessaram problemas por conta dessa condição durante a infância. Sem o devido diagnóstico, eles acabam por se acostumar a respirar dessa forma depois de crescidos, sem sentir maiores prejuízos no dia a dia, podendo chegar até mesmo a serem atletas profissionais, como no caso do Marcelinho.

Com o avanço da idade, entretanto, os problemas tendem a ressurgir.

Cáries radiculares (cáries na raiz dos dentes) são mais comuns em pessoas idosas e estão muito relacionadas ao ressecamento bucal e à recessão gengival – que tendem a ser potencializados por quem respira pela boca. Um paciente com essa característica também está mais susceptível à doença periodontal, que pode levar à perda precoce de dentes.

Do ponto de vista odontológico, a indicação para o caso do jogador é a avaliação e o tratamento ortodôntico (que poderá envolver ou não uma cirurgia ortognática), complementando-se o tratamento com um possível clareamento e tratamento restaurador estético.

Em casos assim, recomenda-se também a avaliação pelo otorrino, para verificar possíveis problemas nesse campo e, posteriormente, um trabalho fonoaudiológico para corrigir os vícios da respiração incorreta.

Essas são intervenções que poderão fazer uma grande diferença estética para o atleta, que já tem uma ótima aparência. Mas, acima de tudo, são medidas que podem impactar diretamente na sua saúde e na sua qualidade de vida no futuro.

Marlei Bonella,
Periodontista e Implantodontista