Sobre beijos e bom senso

. “Vou beijar-te agora não me leve a mal, hoje é carnaval…”

A modinha da troca indiscriminada de beijos durante o carnaval não é de hoje, foi se construindo ao longo do tempo e acabou virando quase que uma obrigação para muitas pessoas. Ok, cada um faz o que lhe convém, mas alguém precisa fazer o papel chato e avisar: muitas doenças são transmissíveis por via oral.

Além disso, os riscos de transmissão aumentam exponencialmente quanto maior for a diversidade de parceiros – óbvio, não é?

bjbjEntão, o negócio é o seguinte: imagine que João tem um vírus transmissível pela saliva, e aí beija Teresa, que beija Raimundo, que beija Maria, que beija Lili. Todos pegam o vírus de João e, se cada um beijar mais cinco parceiros durante o carnaval, temos então pelo menos 25 infectados, que vão continuar passando os “bichinhos” adiante. E assim o vírus vai seguindo sua trajetória, firme e forte.

Alguns vírus possíveis de serem transmitidos nessa brincadeira são os da mononucleose e do herpes, por exemplo.

Em ambos os casos, os vírus podem ficar latentes e só se manifestarem quando ocorrer alguma queda de imunidade nos organismos dos indivíduos infectados.

No caso da mononucleose, os sintomas costumam aparecer de quatro a oito semanas após a contaminação, sendo que os principais sintomas são parecidos com o de um resfriado, com febre, fadiga, infecção das vias respiratórias, com o surgimento de secreções e, por vezes, hepatite moderada e aumento dos gânglios linfáticos. Já no caso do herpes, ele pode levar anos para se manifestar.

Além dos vírus, a flora bucal também é povoada por fungos e bactérias. A bactéria causadora da temida cárie dental, streptococcus mutans, também pode ser transmitida pelo beijo na boca.

Existe ainda a gengivite, uma infecção relacionada à presença de placa bacteriana causada por uma higienização deficiente. Ela gera focos de infecção, fazendo com que a gengiva fique avermelhada e sangre com facilidade. Quando não tratado, o quadro evolui para a periodontite, onde há presença de secreção purulenta e possibilidade de perda de dentes.

Alguns trabalhos científicos têm mostrado que, nos últimos anos, têm aumentado o número de jovens com gengivite, e há dois fatores principais combinados: escovação deficiente e o número cada vez maior de parceiros beijados. O contágio ocorre quando um dos parceiros tem a doença e o outro, por alguma razão, encontra-se com a imunidade mais baixa.

Agora, depois das explicações, vale o bom senso. Afinal, as modinhas vêm e vão, mas um belo e saudável sorriso nunca fica ultrapassado, está sempre em alta!