Tiradentes e a moderna Odontologia

Todos aprendemos na escola sobre as razões do martírio de TiradentesTiradentes V, personagem político ligado à Inconfidência Mineira, que buscava a Independência do Brasil em relação a Portugal. Mas, como este é um blog sobre Boca e Saúde, vamos a algumas curiosidades e, também, a algumas reflexões que, estamos certos, poderão fazer você pensar duas vezes sobre a forma como vem se relacionando com a sua saúde bucal.

Que Joaquim José da Silva Xavier era conhecido como Tiradentes por ser um dentista prático, você já sabe. Que a história se passou há mais de 230 anos, provavelmente também está ciente. Mas já parou para se questionar por que alguém que lidava com os problemas da boca não era chamado, por exemplo, de “Tratadentes”, “Curadentes” ou qualquer coisa nesse gênero?

Embora a resposta pareça óbvia, existe um porém aí. Você há de pensar que tudo se deve apenas à falta de recursos de antigamente, quando não se tinha a alta tecnologia e avanços científicos que temos hoje para curar, tratar e resolver as afecções bucais quando elas surgissem. Não deixa de ser verdade.

Isso sem contar também que, até aquela altura, escolas de Odontologia nem sequer existiam e faltava mesmo formação científico-profissional.

Porém, relatos nos contam que o talento e as habilidades de Tiradentes no seu ofício eram tão grandes que ele chegou a se dedicar também à arte de esculpir próteses em osso de canela de boi ou marfim, para repor unidades dentárias perdidas em pacientes. Mas é claro que, naquela altura, não haviam ainda recursos que garantissem sucessos no campo de Implantodontia, o que só veio ocorrer na segunda metade do Século XX.

Entretanto, existe um outro fator envolvido na mudança da visão dos tratamentos odontológicos nesses mais de dois séculos. Tantos estudos científicos, tantas descobertas serviram para provar que prevenção é fator fundamental para conservação dos dentes e, até mesmo, para uma maior margem de sucesso nos tratamentos disponíveis.

Como assim? É que hoje, assim como ontem, dentes ainda podem ser perdidos pela simples falta de cuidados e de higienização.

É bem verdade que temos mais técnicas para buscar salvar dentes comprometidos e que, diferentemente do passado, a extração é a última escolha. Mas, acima de tudo, o grande diferencial do dentista moderno é que ele não é apenas aquele que surge para resolver um problema já instalado. Ele cuida efetivamente da saúde bucal do paciente. Há boas diferenças nessas duas abordagens.

Hoje em dia, na maioria dos casos, visitas semestrais, com limpezas em consultório e manutenções de rotina, bastam para evitar problemas como: cáries, doença periodontal, mobilidade dentária e outras complicações que podem levar à perda de unidades dentárias ou exigir tratamentos mais complexos e onerosos.

Instrumentos odontológicos utilizados por Tiradentes.
Instrumentos odontológicos utilizados por Tiradentes.

Em inúmeros casos, isso já é mais do que suficiente para garantir um sorriso (e um organismo) saudável. Não é preciso esperar a dor e nem tampouco o comprometimento estético ou funcional.

O Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, exibe o material odontológico de trabalho de Tiradentes: duas chaves de extração, dois fórceps e uma espátula. Peças simples, em contraponto à grande exigência de força e sacrifício que era feita aos pacientes. Hoje, vivemos uma situação contrária: equipamentos e recursos para lá de modernos e, apenas, um simples convite ao paciente para que ele invista na prevenção.