Uma história e um sorriso singulares

Michael Phelps
Micheal Phelps tem características faciais típicas dos respiradores bucais

Michel Phelps é o maior atleta olímpico de todos os tempos e o “Papai da Semana“. Ele tem todas as razões do mundo para sorrir, e muito! Fenômeno das águas, o atleta superou a depressão e diversos problemas pessoais nos últimos quatro anos, para encerrar com chave de ouro (literalmente) a sua carreira como competidor nestas Olimpíadas. Não bastasse isso, seu pequeno Boomer, de apenas três meses, presente nas arquibancadas em todas as provas, encheu de doçura os registros dos momentos históricos das conquistas das últimas quatro medalhas do nadador. Nós aqui da equipe IOS acompanhamos tudo encantados e, como não poderia deixar de ser, por força do hábito, também observamos algumas características bem singulares desse sorriso mais que famoso, que merece registro aqui no nosso Blog.

Michael Phelps e o filho
Phelps beija o pequeno Boomer, após mais um ouro conquistado no Brasil

Vejam só, o maior medalhista de sempre – são 28 pódios ao todo, sendo 23 ouros (é muita coisa, gente!) – apresenta características morfológicas faciais que o colocam em desvantagem em relação a outros atletas. Sim, é isso mesmo que você leu. Phelps tem a formação facial típica dos chamados “respiradores bucais” (pessoas que inspiram e expiram pela boca, e não pelo nariz) e esse fato aumenta ainda mais os méritos dos seus feitos no esporte.

O nadador apresenta maxila atrésica (céu da boca estreito e profundo) e outras características da chamada “síndrome da face longa”, caracterizada pelo desenvolvimento inadequado dos ossos do nariz, da maxila e da mandíbula. O apinhamento dentário (dentes “encavalados”) quase sempre também está presente nesses quadros – no caso do nadador, podemos observar que há um apinhamento do incisivo lateral superior esquerdo (22) sobre o incisivo central superior esquerdo (21).

michael phelps
A maxila atrésica é uma característica de quem tem a chamada “Síndrome da face longa”

Essa alteração na morfologia da face acontece por razões genéticas ou perante condições onde a via nasal não está totalmente disponível para a passagem do ar, seja por uma obstrução real ou por hábitos. Problemas como alergias, desvio de septo, adenoides e amígdalas aumentadas, são exemplos de obstruções reais das vias nasais. Já o uso prolongado de chupetas, mamadeiras ou mesmo o costume de chupar o dedo são hábitos que também podem levar ao desenvolvimento da respiração bucal.

Além do impacto estético, marcando as características faciais, o respirador bucal crônico geralmente enfrenta dificuldades nas atividades cotidianas, podendo haver comprometimento no rendimento escolar (devido à baixa oxigenação cerebral) e, principalmente, um menor rendimento na prática de atividades físicas.

Diante de todos esses dados, os feitos de Michael Phelps nas piscinas tornam-se ainda mais fenomenais. Sem conhecer detalhes do seu quadro clínico, imaginamos que a natação para ele acabou servindo como uma atividade compensadora e terapêutica, ajudando a melhorar a sua capacidade respiratória. Mas nem sequer conseguimos imaginar que potência seria esse atleta se não enfrentasse o desafio da respiração bucal crônica.

Michael Phelps
As conquistas do nadador tornam-se ainda mais incríveis quando consideramos o fato dele ter características morfológicas de um respirador bucal

Como fenômenos assim acontecem tipo um em um milhão, o melhor que temos a fazer é estarmos atentos a esses casos.

O acompanhamento odontopediátrico, desde os primeiros meses de vida do bebê, até o início da adolescência, é fundamental para prevenir problemas nesse sentido. Da mesma forma, os tratamentos ortodônticos, realizados o mais cedo possível, não só são de fundamental importância para a estética e autoestima do jovem, como podem fazer toda a diferença em seu desempenho em várias áreas da vida.

Embora sejam importantes a prevenção e as intervenções precoces, os problemas que levam à respiração bucal também podem (e devem) ser tratados no paciente adulto. Além do tratamento ortodôntico, poderá haver também a necessidade de cirurgia ortognática.

A questão da respiração bucal é um caso típico em que fica claro como a Odontologia está intimamente ligada à saúde global e como os tratamentos nessa área podem e devem acontecer em conjunto com outras abordagens na área da saúde. Para um esportista, por exemplo, além de seu preparador físico, médicos e fisioterapeutas, o acompanhamento por um dentista com uma visão ampliada sobre Odontologia desportiva poderá fazer toda a diferença em seu desempenho.